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É sempre com muito prazer que leio as palavras do teólogo Anselmo Borges.
Mais uma vez, ele é único no seu discurso.
O texto foi retirado da página da TSF e pode ser encontrado aqui.
Teólogo entende que dúvidas sobre Big Bang vão permanecer
O téologo Anselmo Borges entende que subsistirão as dúvidas relacionadas com as razões da existência de um Big Bang mesmo após as experiências com o acelerador de partículas. Ainda assim, este estudioso mostrou-se «fascinado» com estas experiências.
O teólogo Anselmo Borges considera que será muito importante que se possa descobrir a chamada “partícula de Deus” nas experiências que estão a ser feitas no CERN, em Geneva, com o acelerador de partículas.
Contudo, em declarações à TSF, este estudioso entende que a dúvida sobre as razões da existência de um Big Bang permanecerá, se bem que, lembra o teólogo, a experiência «permitirá compreender melhor o universo próximo do Big Bang».
«Aí é que volta sempre a pergunta: o mundo cria-se a si mesmo, explica-se por si mesmo ou, pelo contrário, tem na sua raiz no seu fundamento, um Deus pessoal, transcendente, criador?», questionou.
Anselmo Borges mostrou-se «fascinado» com estas experiências e disse mesmo esperar que elas resultem, pois o «crente quer que a ciência avance o mais possível».
«Faço um apelo a Deus. Aliás, o Deus no qual eu acredito é o Deus que nos dá a inteligência para que nós aprofundemos o mundo, os conhecimentos, a realidade a nível científico. Estou absolutamente entusiasmado com esta experiência em curso», adiantou.
Este professor de Filosofia fez ainda questão de notar que o plano da religião e da ciência são planos à parte, uma vez que a «ciência por si não demonstra a existência de Deus, mas também não nega a existência de Deus».
«A ciência não é crente nem é ateia. É pura e simplesmente ciência e portanto quer crentes, quer não crentes vão para a ciência com métodos científicos», concluiu.
Ora, ao ler isto apenas consigo dizer:
"In the quiet words of the Virgin Mary... come again?"
Só por curiosidade, já utilizei esta frase antes.
Foi no post Deixai vir a mim as criancinhas.
Paulo Martins, no JN de 11 de Setembro de 2008 comenta a participação dos Atletas Paralímpicos.
Deixo aqui o artigo de opinião dele.
Eles não são fotogénicos
Quando o jornalista lhe perguntou se há condições para a prática de boccia em Portugal, Helena Bastos não apresentou um "caderno reivindicativo", nem aproveitou para criticar a falta de apoios. Limitou-se a constatar o óbvio: "É evidente que nós queremos sempre mais". A seleccionadora nacional da modalidade vocacionada para deficientes, entrevistada pelo Diário de Notícias após o ouro e a prata conquistados em Pequim por atletas portugueses, exprimiu outra preocupação: "Ninguém se interessa em mostrar os atletas de boccia. Só quando ganhamos uma medalha".
O lamento podia muito bem ser partilhado por responsáveis ou praticantes de uma mão cheia de modalidades que só chegam às páginas dos jornais e aos écrãs de televisão quando o rei faz anos - e ainda assim a cantinhos pouco visíveis, porque o futebol monopoliza todos os espaços, quando se fala de desporto.
A triatleta Vanessa Fernandes ganhou o seu espaço à custa de dezenas de vitórias, mas João Paulo Fernandes e António Marques, que dominaram o pódio individual de boccia nos Jogos Paralímpicos, terão certamente muito pouco tempo para desfrutarem o seu momento de glória. Dentro de uns anos, talvez a Comunicação Social volte a prestar-lhes atenção.
"Os atletas de boccia não têm uma imagem que cative". Sem pintar as palavras de cores garridas, Helena Bastos acrescenta àquele obstáculo à visibilidade pública dos seus atletas um outro, mais "doloroso". Os media compensam a difusão das desgraças do quotidiano - o crime sangrento, o acidente aparatoso - com imagens a transpirar felicidade, corpos que, de tão esbeltos, parecem artificiais.
Andamos todos a render-nos à filosofia da "gente bonita", que há muito tomou conta das revistas cor-de-rosa. E é aí que bate o ponto: os deficientes "não tem uma imagem que cative". Privados de fotogenia - pior: de telegenia - ficam de fora, como se devessem ser afastados no nosso olhar. São "descobertos" apenas de quatro em quatro anos, quando a chama paralímpica se acende. Na melhor das hipóteses, alguém se lembra deles para a obrigatória efeméride, um qualquer Dia do Deficiente.
E no entanto estes atletas têm vindo a dar-nos muitas alegrias. Ainda a procissão vai no adro e só no torneio individual de boccia já foram alcançadas tantas medalhas como as que somou toda a representação nacional nos "outros" jogos. Os paralímpicos não ganham milhões, como os futebolistas, mas não se poupam a esforços, nem esmorecem na dedicação. Cumprem, aliás, exigentes programas de preparação. Um (bom) exemplo: João Paulo Fernandes desloca-se todos os dias de Vale de Cambra ao Porto para efectuar duas sessões de treino. Jogos Paraolímpicos de Pequim - Wikipédia
Jogos Paraolímpicos de Pequim - Página oficial