quarta-feira, outubro 10, 2007

O navio de espelhos

As minhas desculpas ao L. Laranjo, mas não consigo resistir a colocar aqui o vídeo que ele disponibilizou no seu blog.

Fabuloso.




O navio de espelhos

O navio de espelhos
não navega cavalga

Seu mar é a floresta
que lhe serve de nível

Ao crepúsculo espelha
sol e lua nos flancos

Por isso o tempo gosta
de deitar-se com ele

Os armadores não amam
a sua rota clara

(Vista do movimento
dir-se-ia que pára)

Quando chega à cidade
nenhum cais o abriga

O seu porão traz nada
nada leva à partida

Vozes e ar pesado
é tudo o que transporta

(E no mastro espelhado
uma espécie de porta)

Seus dez mil capitães
têm o mesmo rosto

A mesma cinta escura
o mesmo grau e posto

Quando um se revolta
há dez mil insurrectos

(Como os olhos da mosca
reflectem os objectos)

E quando um deles ala
o corpo sobre os mastros
e escruta o mar do fundo

Toda a nave cavalga
(como no espaço os astros)

Do princípio do mundo
até ao fim do mundo


Mário Cesariny

"Os Poetas", entre nós e as palavras

Cortesia L. Laranjo

1 comentário:

L. Laranjo disse...

Ó meu amigo, sempre às ordens, sempre às ordens.