terça-feira, setembro 13, 2005

Visões codificadas

Lamentos que se levantam na noite e que quebram o luar,

Virgens que perdem a inocência num imundo bordel com gemidos de prazer que ofuscam a culpa,

Fluxos de sangue contaminado com saliva quente que mergulham no êxtase verbal,

Choques culturais originados na noite dos tempos e que se perpetuam no dia,

Indiferenças que mal disfarçam a vontade, o desejo, da luxuria do prazer sem limites morais, burocráticos ou constitucionais,

A existência da verdade a que somos desviados e a que somos atraídos como borboletas à luz,

A escuridão do sonho, que nos persegue nas acções, as visões de orgias em que desejamos ser as atracções principais,

As referências literárias que se impõem, e que nada de concreto revelam, o abismo que nos reconhece e manifesta hospitalidade com o seu silêncio, perdão para todos os pecados não cometidos mas sempre desejados.

Viva a liberdade.

Estranha sensação de perda de movimentos a que somos regularmente convidados a assistir,

Perpetuas condenações a ciclos irregulares,

Hemorragias cerebrais num televisor perto de si,

Conceituados astrólogos que disfarçam o medo do escuro do escuro com testemunhos coerentes do efeito do ácido nos sentidos,

Estrelas que entregam a decadência em troca de uma morte rápida e eficiente não dolorosa é claro, mas digna de um qualquer espectáculo de revista, passada em revista por puritanos e assim, devidamente censuradas.